segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A prima Maldade



Ás vezes, minutos depois da chegada, ela desaparece com sua imensa mala vermelha cheia de apetrechos cortantes e pontudos. Tão grande, forte, bonita. Dá uma dor no peito aceitar o tchau, o carro lá longe. Eu sei que ela volta, a Maldade não duran muito mas sempre volta. O problema é que dá a maior preguiça começar tudo de novo: as boas intenções, acordar cantando, sorrir que nem boba por aí. Como eu queria , alguns dias a mais, que ela ficasse. Essa prima que vem de longe só porque fico numa saudade infinita e imploro com minha melhor lábia.
Durante sua estadia, como nos divertimos! Mulhe se dá bem demais com esse tipo de parente. E vai dizer que o mundo, com suas picuinhas, chatices e falsidades, não merece essa linda e unbatível parceria brilhando ao sol ? É preciso sinceridade. existe essa coisa imcrível chamada nobreza de caráter e fofurinha de alma. A vontade de aceitar a vida, perdoar traições, ser amiga de todo mundo, alegrar pessoas. Gostar de gente. Pior: gostar das pessos como elas são. Mas existe também a anti-heroína ultracharmosa e necessária que vau mentir um pouco só para rir depois. Vai dar o troco com gosto. Vai fofocar até não suportar mais tanto veneno. É ou não é ?
Prima querida, a vida é muito melhor :(e mais digna) sem você. Mas quando você vem, junto chega essa sensação de ser inteira e honesta. De saber que tem a hora de estender a mão mas tem também a de empurrar um pouco. Santo é tão improvável que vira santo, já parou para pensar? A bondade é essa loucura que me leva para longe. Depois, na chuva, no escuro, no fro, na lama, eu pequena, o mundo gigante e quase impossível. Eu olho para o chão e vejo seus saltos altíssimos de bico fino. É ela que reaparece sarada e maquiada para me resgatar. Aí subo em suas costas e não tem para ninguém.

 

[Tati B.]

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