sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Diabo


Essas mulheres do seu lado. Elas não sabem o que eu sei. Elas nunca vão te dar o que eu te dei. E o último cigarro eu ainda não fumei. 
Se elas soubessem o que eu sinto. Pra falar a verdade às vezes eu minto. Com você eu rezo, pra eles eu finjo. E a última canção será o silencio do seu grito.
Faca na boca do desejo. No meio das minha pernas eu te vejo. Roubando de Deus, bebendo veneno. E agora o diabo vive aqui dentro.
Ana Cañas

Cuidado com as ilusões mocinha



E lá vem você novamente mexer com o meu coração, brincar com tudo  que existe aqui dentro. Logo agora que eu já me acostumava com a sua ausência.
Já lhe disse por várias vezes que andar de riso frouxo, sonhando acordada e sorriso rasgado, só é legal quando quando correspondido. Porque depois de um tempo ele passa a esmagar o meu coração, me causa enjoos e uma tristeza imensurável .
Se ao menos eu pudesse sentir tanta paixão sem saber, se ao menos eu pudesse voltar a ser tão distraída. 
Então pode ir embora, estou lhe dando adeus. Procure alguém que lhe deseje e deixe-me sem sentir esse tal gostinho que você oferece. Eu fico bem melhor sem você.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

“Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida”


"Medo de se apaixonar Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente.
Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida.

Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira.


Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada."

Fabricio Carpinejar

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Não quero ser invisível

Estou cheia de sentimentos e inseguranças, e mesmo tratando-se de amor sei que não sou digna de perdão, mas ressalto que estar em minha pele não é tarefa fácil, trata-se de um caminho perigoso.
 Dentro do meu peito você vive há tempo, já cheguei a sonhar com o dia que largaria tudo para começar uma vida comigo. Nada deu ou dará jeito. Eu nunca senti raiva da sua família, porém admito um sentimento de inveja, por querer ter um outro papel em sua vida.
Sinto uma profunda tristeza em meu coração, a cada viagem que faz com ela ou com seus filhos, a cada aniversário de casamento, a cada aniversário das crianças.
Demorou, porém percebi que é assim mesmo que você  gosta. Só as vezes, só para sair da rotina, só porque sou mais nova, só porque eu não faço nenhum tipo de cobrança, só por conta do sexo ser mais quente, só por ser uma "vagina diferente" .
Não sabes como é difícil ser a "outra", não sabes como é difícil esconder o homem que se ama, mas as vezes é o único jeito, não se escolhe, eu não escolhi.
Deixo de ser a sua "outra", porque hoje eu sei que essa paixão clandestina nunca vai vencer a oficial.



quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A volta da mulher morena

Meus amigos, meus irmãos, cegai os olhos da mulher morena
Que os olhos da mulher morena estão me envolvendo
E estão me despertando de noite.
Meus amigos, meus irmãos, cortai os lábios da mulher morena
Eles são maduros e úmidos e inquietos
E sabem tirar a volúpia de todos os frios.
Meus amigos, meus irmãos, e vós que amais a poesia da minha alma
Cortai os peitos da mulher morena
Que os peitos da mulher morena sufocam o meu sono
E trazem cores tristes para os meus olhos...
Salva-me dos braços da mulher morena
Eles são lassos, ficam estendidos imóveis ao longo de mim
São como raízes recendendo resina fresca
São como dois silêncios que me paralisam.
Aventureira do Rio da Vida, compra o meu corpo da mulher morena
Livra-me do seu ventre como a campina matinal
Livra-me do seu dorso como a água escorrendo fria.
Branca avozinha dos caminhos, reza para ir embora a mulher morena
Reza para murcharem as pernas da mulher morena
Reza para a velhice roer dentro da mulher morena
Que a mulher morena está encurvando os meus ombros
E está trazendo tosse má para o meu peito.
Meus amigos, meus irmãos, e vós todos que guardais ainda meus últimos cantos
Dai morte cruel à mulher morena!


Vinicius de Moraes

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O meu amor agora está perigoso! Mas não faz mal, eu morro, mas morro amando..

Entrar em uma história de amor novamente é ter plena consciência de  que todas as bombas irão estourar mais cedo ou mais tarde, e mesmo assim não ter medo de se entregar. Será? 
Desacreditar virou a minha especialidade. Estou vacinada, arredia, mas tenho que admitir que se surge a mínima chance de ser feliz, me jogo de cabeça!
Eu sinto, e como sinto, estas a mexer comigo e eu não posso, não quero, não consigo... isso não é mentira, e isso é sim, uma afirmação.
Me arrepio só de lembrar da tua voz, e quando a esculto fico atordoada.
A questão não é fidelidade - são minhas memórias - estas sim me persegue.
Não aguento mais começar histórias que resultam em descarte. Eu mesma não encontro paciência de viver mais nada, sem estômago para nenhum dos que passaram.
Não tenho mais lábia, só culpa.. culpa por ter essa sensibilidade extrema para certas coisas, situações. Culpa por não ser normal, como todo mundo.
Estou cega, não consigo enxergar um grande amor, e me falta! Me falta de verdade, me falta.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Homem deseja sem amar, mulher deseja sem amor...

"O Amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É abjeto que um homem deseje a mãe de seus próprios filhos. Sexo, é para operário!
Nem todas as mulheres gostam de apanhar, só as normais. O pudor é a mais afrodisíaca das virtudes.
Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata. As grandes convivências estão a um milímetro do tédio.
Não ama seu marido? Pois ame alguém, e já. Não perca tempo, minha senhora!
Quero crer que certas épocas são doentes mentais. Por exemplo, a nossa. Toda unanimidade é burra.
É preciso ir ao fundo do ser humano. Ele tem uma face linda e outra hedionda. O ser humano só se salvará se, ao passar a mão no rosto, reconhecer a própria hediondez. Entre o psicanalista e o doente, o mais perigoso é o psicanalista.
Amar é ser fiel a quem nos trai. 
Ser bonita não interessa, seja interessante! A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual. Toda mulher bonita é namorada lésbica de si mesma.
Qualquer amor há de sofrer uma perseguição assassina. Somos impotentes do sentimento e não perdoamos o amor alheio. Por isso, não deixe ninguém saber que você ama. 
Qualquer um de nós já amou errado, já odiou errado. Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível." (Nelson Rodrigues)

terça-feira, 2 de outubro de 2012

É TÃO SIMPLES.

É simples de ver se há um Deus no espaço, mas eu procurei com os olhos descalços e tudo se fez por inteiro em pedaços. Talvez é o acaso que rege o mundo. E quem pode crer será sempre invejado, pois tem sempre alguém pra estar ao seu lado e sente o alívio discreto dos laços que prendem seus braços ao centro do mundo. Eu fiz de tudo, e não consigo achar o seu sinal em mim. Me diz o q
ue eu faço, se eu não posso te sentir. Então sem saber em quem me escorar, eu voltei a te chamar.

Você usa sua inteligência para o que melhor te cabe, afinal existem dois caminhos, e você tem seu lívre-arbítrio pra escolher. Sabendo disso, eu realmente temo o que pode acontecer, o futuro não lhe reserva coisas tão boas assim.
Preciso saber quem é você, e o que fez com seu antigo "eu". Preciso disso, pra esse sufoco passar, e eu voltar a respirar como antes.
Você não precisa de ajuda. você já a tem :)